Os preços do ouro e da prata atingiram patamares recordes depois que o Departamento de Justiça dos EUA ameaçou processar criminalmente a Reserva Federal, levantando mais uma vez preocupações sobre sua independência. Os protestos no Irã apoiaram a demanda por ativos seguros.
Segundo relatos, o preço do ouro subiu para US$ 4.600 por onça, enquanto a prata se aproximou de US$ 85, após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmar que uma eventual acusação deve ser analisada dentro de um contexto mais amplo de ameaças e da pressão contínua da administração, com o objetivo de influenciar as decisões do banco central sobre as taxas de juros. Os ataques recorrentes da administração Trump ao Fed no ano passado foram um dos principais fatores responsáveis pelo enfraquecimento do dólar americano.
A fraqueza do dólar observada durante a sessão asiática desta terça-feira impulsionou fortemente a procura por metais preciosos como ativos de refúgio. Traders preocupados com a instabilidade política e com potenciais riscos ao sistema financeiro começaram a realocar recursos para ouro e prata, desencadeando um salto de preços sem precedentes.
Ao mesmo tempo, os protestos mortais no Irã aumentaram ainda mais a atratividade dos metais preciosos como reserva de valor, diante da possibilidade de uma queda do regime islâmico. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que avalia diferentes opções em relação ao Irã, ao mesmo tempo em que voltou a ameaçar a tomada da Groenlândia e a questionar o valor estratégico da aliança da OTAN. Tudo isso ocorreu apenas uma semana após a mudança de poder na Venezuela envolvendo Nicolás Maduro.
Fica claro que os metais preciosos estão agora no centro de uma poderosa tendência de alta, impulsionada por uma combinação de fatores favoráveis que elevaram significativamente a demanda. Entre eles estão: expectativas de taxas de juros mais baixas nos EUA, escalada das tensões geopolíticas, perda de confiança no dólar americano e o desafio direto à credibilidade do Federal Reserve — fatores que continuam a sustentar a valorização do ouro e da prata. Mais de uma dúzia de gestores de ativos relataram ter optado por não reduzir de forma agressiva suas posições em ouro, confiantes em sua atratividade no longo prazo.
A dinâmica futura dos preços dos metais preciosos dependerá de diversos fatores, incluindo a evolução do cenário geopolítico, eventuais desdobramentos no Departamento de Justiça envolvendo o presidente do Fed e o sentimento geral dos investidores. Em um ambiente de elevada incerteza, prever movimentos futuros torna-se particularmente difícil. Ainda assim, é evidente que ouro e prata continuarão a desempenhar um papel central no sistema financeiro global, como instrumentos de proteção contra riscos e de preservação de capital.
Visão técnica para o ouro
Do ponto de vista técnico, os compradores precisam superar a resistência mais próxima, em US$ 4.591. Isso permitiria atingir US$ 4.647, acima do qual uma quebra seria bastante difícil. O alvo mais distante é a área de US$ 4.708. Em caso de queda, os vendedores tentarão assumir o controle de US$ 4.531. Se forem bem-sucedidos, romper essa faixa seria um duro golpe para as posições de compras e empurraria o ouro para a mínima de US$ 4.531, com perspectiva de queda para US$ 4.481.
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