Atualmente, duas narrativas concorrentes influenciam o ouro. A primeira é positiva: a queda dos preços do petróleo está aliviando as expectativas de inflação, o que pode reduzir a pressão sobre as taxas de juros e remover o principal fator de pressão sobre o metal nos últimos quatro meses. O Brent recuou para abaixo de US$ 78 por barril — próximo ao nível em que a contribuição da energia para a inflação começa a se neutralizar.
A segunda narrativa é negativa: o Federal Reserve deixou claro ontem que uma alta de juros no fim do ano continua sendo uma possibilidade. Os traders já precificam plenamente um aperto monetário até outubro. Taxas mais altas exercem pressão direta sobre o metal, que não rende juros.
Gostaria de chamar a atenção para uma nuance importante na decisão do Fed de ontem. O banco central não apenas manteve as taxas de juros, mas também retirou a menção a "ajustes adicionais" do comunicado, o que o mercado interpreta como um sinal de predisposição a uma alta de juros, e não a um corte. Trata-se de uma mudança significativa na comunicação sob a liderança do novo presidente, Kevin Warsh: menos sinalização sobre a trajetória da política monetária e maior dependência dos dados econômicos.
Para o ouro, isso indica a continuidade da incerteza em relação às taxas de juros — e uma incerteza com viés de aperto monetário é mais negativa do que uma certeza com viés de flexibilização.
A prata está subindo de forma ainda mais acentuada hoje — com alta de 2,5%, para US$ 69,61, após uma queda de 3% no dia anterior. A platina e o paládio também estão em território positivo.
No que diz respeito ao panorama técnico atual do ouro, os compradores precisam reconquistar a resistência mais próxima, em US$ 4.372. Isso lhes permitirá visar US$ 4.432, nível acima do qual será bastante difícil romper. O próximo alvo ficará perto de US$ 4.481. Em caso de queda, os vendedores tentarão assumir o controle do nível de US$ 4.304. Se forem bem-sucedidos, uma quebra dessa faixa representará um duro golpe para as posições dos compradores e poderá empurrar o ouro para uma mínima de US$ 4.249, com potencial para atingir US$ 4.186.
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